
Meu 2009 não começou muito bem.
Eis que num dia ensolarado típico de janeiro, ligo a televisão e me deparo com uma cena chocante.
Uma criança, muito ferida, é carregada pelos médicos, também em pânico . O pai beijando carinhosamente a sua testa, como se quisesse trazer para si toda a dor do filho.
Fiquei aos pedaços.
A voz da repórter surge. “...A ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza continua...”
Sofri um pouco mais ao perceber quantas vezes ouvira a mesma coisa durante as últimas semanas
E nem tinha me dado conta.
Sofri ao concluir que me acostumara à guerra, à morte, ao sofrimento. Contanto que não aconteçam em meu país, com minha gente, com a minha família.
Desligo a televisão e parece que o mundo lá fora parou. Queos pais deixaram de perder seus filhos e que os filhos não choram mais sobre o túmulo de seus familiares e amigos. Que vidas deixaram de morrer prematuramente por frio e fome, nos braços de suas mães aterrorizadas com o barulho dos mísseis caindo. Que aquele homem e seu filho permanecem congelados, como um filme em “pause”. Os lábios dele sobre a pele ferida do menino, esboçando o último beijo...
E vem a sensação de perplexidade.
Perplexidade por viver em um mundo onde o ódio, a intolerância, ou a simples discordância são capazes de tirar milhares de vidas.
Perplexidade por saber que essas tragédias humanas estampam as primeiras páginas dos jornais e ocupam o horário nobre das emissoras. E que esses jornais são comprados por velhinhos para ler calmamente na praça , e os programas assistidos por donas de casa enquanto preparam o jantar da família.
Como um filme qualquer da Sessão da Tarde. Como uma notícia qualquer, do caderno de “Cultura & Arte” ....
Talvez o israelense e o palestino também acompanhem essa superprodução filmada a poucos passos e tenham a mesma perplexidade. A perplexidade de não ter qualquer motivo concreto para uma guerra que dura décadas, e parece não terminar pela mesma razão que começou: a ausência de razão.
Como dizem há milhares de anos: “ O fim está mesmo próximo...”
Eis que num dia ensolarado típico de janeiro, ligo a televisão e me deparo com uma cena chocante.
Uma criança, muito ferida, é carregada pelos médicos, também em pânico . O pai beijando carinhosamente a sua testa, como se quisesse trazer para si toda a dor do filho.
Fiquei aos pedaços.
A voz da repórter surge. “...A ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza continua...”
Sofri um pouco mais ao perceber quantas vezes ouvira a mesma coisa durante as últimas semanas
E nem tinha me dado conta.
Sofri ao concluir que me acostumara à guerra, à morte, ao sofrimento. Contanto que não aconteçam em meu país, com minha gente, com a minha família.
Desligo a televisão e parece que o mundo lá fora parou. Queos pais deixaram de perder seus filhos e que os filhos não choram mais sobre o túmulo de seus familiares e amigos. Que vidas deixaram de morrer prematuramente por frio e fome, nos braços de suas mães aterrorizadas com o barulho dos mísseis caindo. Que aquele homem e seu filho permanecem congelados, como um filme em “pause”. Os lábios dele sobre a pele ferida do menino, esboçando o último beijo...
E vem a sensação de perplexidade.
Perplexidade por viver em um mundo onde o ódio, a intolerância, ou a simples discordância são capazes de tirar milhares de vidas.
Perplexidade por saber que essas tragédias humanas estampam as primeiras páginas dos jornais e ocupam o horário nobre das emissoras. E que esses jornais são comprados por velhinhos para ler calmamente na praça , e os programas assistidos por donas de casa enquanto preparam o jantar da família.
Como um filme qualquer da Sessão da Tarde. Como uma notícia qualquer, do caderno de “Cultura & Arte” ....
Talvez o israelense e o palestino também acompanhem essa superprodução filmada a poucos passos e tenham a mesma perplexidade. A perplexidade de não ter qualquer motivo concreto para uma guerra que dura décadas, e parece não terminar pela mesma razão que começou: a ausência de razão.
Como dizem há milhares de anos: “ O fim está mesmo próximo...”
.
Um comentário:
Até que enfim eu posso voltar a minha vida literaria e mais interativa na net.
Ótimo artigo esse, a verdade é essa, estamos de fato acomodados com a violência... isso é triste!
Mas fazer o q?
Postar um comentário